Futebol na Terra da Rainha - Capítulo 7 - Champions League no Emirates




Assistir a um jogo, in loco, em um estádio europeu sempre foi um sonho. A questão era definir qual partida seria e se a peleja ainda teria ingressos disponíveis. A certeza era que tinha que ser na Inglaterra, onde cheguei no sábado, dia 13 de agosto, data da abertura da atual temporada da Premier League. O primeiro jogo por uma competição continental após a minha chegada em Londres seria o confronto entre Arsenal e Udinese, na terça, dia 16, pela fase preliminar da Champions League. E qual não foi minha surpresa ao chegar ao Emirates Stadium na manhã do jogo e conseguir um ingresso! Aliás, comprado com toda a tranquilidade do mundo na bilheteria do estádio.


Bilheteria na porta do estádio no dia da partida: tranquilidade absoluta e organização
Ingresso no bolso, passeios pela capital inglesa e expectativa crescendo a cada minuto para o retorno ao estádio. O jogo começaria às 19h45. A emoção foi se tornando cada vez maior a cada passo rumo ao Emirates. De metrô, fui observando os grupos que enchiam os vagões a cada estação. Entre eles, uma turma de italianos, com cachecóis e camisas da Udinese. O que seria em qualquer ponto do Brasil um risco foi encarado com rara tranquilidade. Apesar de alguns olhares, nenhuma provocação direcionada aos visitantes. Gente de todas as idades, inclusive crianças e senhoras, muitas delas sozinhas, se encaminhavam para o estádio devidamente vestidas com camisas do Arsenal.


Ingresso, que custou 47 libras muito bem pagas: informações e locais respeitados
Nas costas do ingresso, informações sobre as ruas vizinhas e os setores do estádio

Desci na estação Arsenal, próxima ao local onde ficava o antigo estádio Highbury (que será retratado em um futuro post nesta série) e me impressionei com a organização e a sensação de segurança. Policiais acompanhavam o movimento dos torcedores e a venda de alimentos, bebidas e vários apetrechos ligados aos Gunners, como cachecóis, camisas, fotos, bottons e afins. Detalhe: todos registrados e legalizados para trabalhar.

Chegada na estação Arsenal... segurança e proximidade do estádio impressionam
Vendedores na região do estádio: todos regularizados e muita variedade de produtos
A primeira visão do estádio é uma daquelas lembranças únicas. Pela manhã, ao comprar o ingresso, tinha acessado uma outra parte do Emirates. Já a entrada pela estação Arsenal tem uma passagem obrigatória pela ponte Ken Friar, que mostra banners com ídolos históricos do clube, uma demonstração de respeito à memória de dar inveja.

Ponte Ken Friar e os banners com ídolos históricos do clube

Logo na entrada, adquiri o programa do jogo por 3 libras. Não se trata de um mero informativo. É um livro de 84 páginas, feito com papel de primeira qualidade e com detalhes que impressionam, como dados sobre o adversário, matérias históricas sobre o Arsenal, o calendário para o torcedor acompanhar o clube dentro e fora de Londres na temporada e as palavras do técnico, Arsène Wenger, e do capitão, Van Persie. Vale lembrar que no dia anterior o clube tinha concretizado a venda do antigo capitão, Fàbregas, ao Barcelona. Isso não impediu que o material estivesse devidamente atualizado, inclusive com o holandês da camisa 10 estampando a capa.

Capa do programa do jogo, um material de alta qualidade e extremamente atualizado

Nas costas do programa, o elenco dos dois times, parte do show de informações

No caminho para a entrada no setor onde assistiria o jogo, o Clock End, observei a imensa tranquilidade com que as pessoas se encaminhavam para seus lugares. Cerca de 60 mil torcedores, sem atropelos, correria ou empurrões. Muitos funcionários auxiliavam os torcedores com informações sobre onde ir, onde entrar, em qual direção ficava determinado setor. Seguros e protegidos, torcedores da Udinese se encaminhavam calmamente para os seus lugares.

Torcida da Udinese se prepara para entrar no estádio sem qualquer problema apesar da proximidade de torcedores do Arsenal

A organização, a limpeza e o tratamento profissional dos funcionários do clube se mantiveram dentro do estádio. Corredores internos limpos, bares sem filas e com muitas opções para comer e beber. Aliás, na Inglaterra é permitido a venda de cerveja nos estádios, mas ela deve ser consumida nos bares.

Bar no setor Clock End comprova a limpeza e a organização do local

Setores numerados e entradas claras: acesso facilitado
O primeiro impacto foi demais. A logo da Champions League no centro do gramado, assento garantido, organização. Muita coisa para se admirar. A entrada dos times em campo, ao som do hino da Champions, chega a arrepiar.

Entrada dos times em campo com a música da Champions League ao fundo: emocionante

Os cânticos, a atmosfera, os gritos da torcida a cada jogador anunciado.... O placar eletrônico, do qual fiquei bem perto, é um show. Legenda com a letra da música, fotos dos jogadores, escalação das equipes, com nome e número do jogador, gols dos demais jogos da Champions no intervalo....

Poucos minutos antes do jogo, os times aquecem em campo. Torcida ocupa os lugares sem atropelos no horário da partida
Placar dá um show de informações com uma imagem espetacular

A festa pelo gol de Walcott logo no início do jogo, que terminou 1 a 0, ficou marcada na minha memória. Veja abaixo o vídeo com o gol do atacante da Seleção Inglesa:


video

O gramado perfeito, o respeito entre as torcidas e todos os pontos positivos que envolveram a partida deixaram claro que não basta construir um estádio bacana. É preciso se preocupar com o que envolve um jogo. Transporte, segurança, limpeza e organização fazem parte, sim, de uma partida. O Emirates deixou isso bem claro.

Visão do gramado é 100% possível de todos os cantos do estádio

Menos de 15 minutos depois do jogo a torcida do Arsenal evacua o estádio sem qualquer problema. No anel inferior, a torcida da Udinese

Quando eu imaginava que tudo estava terminado, mais uma surpresa: mesmo à noite, a loja do Arsenal fica aberta DEPOIS do jogo, com o movimento normal de torcedores, que tinham uma variedade incrível de produtos à disposição. Uma aula de merchandising. Isso sem contar que lojas e postos com produtos oficiais do clube circundam todo o estádio e também funcionam na região dos bares durante as partidas.

Mesmo às 22h, a loja do Arsenal fica aberta no estádio e atrai vários clientes

Loja do clube no anel interno do estádio: uma aula de como vender produtos

Se a primeira impressão é a que fica, nada poderia ser melhor do que ter sido esse meu primeiro jogo europeu visto in loco em um estádio...

Torcedores do Arsenal, o clube terá outros posts nesta série. Não percam!

Confiram os outros posts da série:
Capítulo 1 - Craven Cottage, o estádio do Fulham
Capítulo 2 - No Notts County, o clube mais antigo da Inglaterra
Capítulo 3 - Nottingham Forest e o City Ground
Capítulo 4 - Leyton Orient e seu Matchroom Stadium
Capítulo 5 - Wembley, capital mundial do futebol

Comentários

  1. Parabéns pela matéria. Aquele jogo foi muito complicado pra nós, mas conseguimos vencer e encaminhamos nossa classificação.

    Abraço

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  2. ESPERANDO AS PRÓXIMAS MATÉRIAS SOBRE O EMIRATES E O HIGHBURY

    e tem jornalista que se orgulha de não acompanhar futebol euroupeu.... tenho dó.

    o melhor futebol do mundo em todos os sentidos

    WE LOVE YOU ARSENAL, WE DO!

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  3. Fala Fred... neste jogo nos encontramos lá. Eu com a camisa do galo mais lindo do mundo, num jogo fantastico, no conjunto da obra. Tenho o gol filmado, se quiser, depois te mando por email. Abraços,

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  4. Olá, Cássio, me manda sim! Vou atualizar o post com o gol, então, hein? Abraços!

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  5. Demais ver jogo da Champions in loco, ainda mais no Emirates! Eu consegui ver um mata-mata da Europa League...
    Abraço, João Ricardo, futpopclube.com

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