O título do Cruzeiro, o foco na Libertadores e as lições da decisão do Mineiro


Não foi a final que muitos imaginariam. No campeonato menos importante no qual o atual campeão brasileiro e o atual campeão sul-americano medem forças, título para quem foi mais eficiente ao longo do torneio, o Cruzeiro. Nos dois possíveis grandes jogos que decidiriam o estadual, dois 0 a 0, somados a outro placar sem gols na fase de classificação e temos a primeira série de três jogos seguidos sem balançar as redes do maior clássico mineiro. Pela campanha, título merecido do Cruzeiro, que ainda tem ajustes a fazer para sonhar com conquistas mais importantes em 2014. O vice, Atlético, também tem competições maiores no ano, mas precisa de ainda mais acertos do que o rival.

O título veio em um jogo truncado, em que o Cruzeiro foi melhor e teve mais chances de gol no Mineirão. Mais organizado e mais efetivo, o time azul dominou o meio-campo e foi estável na defesa. Mas cansou de perder chances de gol. Faltou quem tivesse a qualidade para colocar a bola na rede - papel que pode ser desempenhado por Borges no resto da temporada, se estiver em boas condições físicas. Do lado atleticano, o time mostrou uma total falta de conexão entre o setor defensivo e o ofensivo. Com Ronaldinho e Tardelli apagados, faltou à equipe alguém para pensar o jogo e colocar a bola no chão. Sem meias efetivos criando, o time usou e abusou de chutões, o que fazia sempre a bola voltar ao seu campo defensivo.

Eficiente, Fábio levanta mais um Mineiro (foto Gualter Neves/ Light Press/ Cruzeiro)

Desde o jogo contra a Universidad de Chile, em Santiago, o Cruzeiro aprimorou sua forma de atuar, com Samudio dando mais força defensiva à problemática lateral esquerda e com Henrique dando mais qualidade ao meio-campo, melhorando a saída de bola e tornando a marcação mais consistente. Com Júlio Baptista jogando como um pivô e abrindo espaço, as chegadas de Éverton Ribeiro e Dagoberto são mais eficientes. Com boas opções de banco, como Willian, e com jogadores que ainda podem render mais quando entrarem em forma, caso de Borges, o Cruzeiro pode ir mais longe em 2014. Falta, ainda, em momentos decisivos, saber como matar o jogo. Correu riscos nos dois jogos contra o Galo em momentos em que recuou.

Do lado atleticano, a falta de mobilidade do quarteto ofensivo é um problema que Autuori terá que resolver. Recorrer sempre aos chutões e aos cruzamentos na área não vai ser solução. Ainda mais em situações como a de ontem, quando não teve Marcos Rocha, uma peça fundamental para o time - no caso, a falta de opções de qualidade no banco compromete. Com a equipe sem ter uma organização eficiente no meio-campo, os volantes ficam muito expostos e sujeitos a fazer mais faltas. Apesar de mais lento do que em 2013 e sem brilhar, o time atleticano mostra competitividade em jogos específicos, nos quais consegue bons resultados. Foi assim em Bogotá, quando confirmou a classificação contra o Santa Fé, e nos dois jogos contra o Cruzeiro, quando, mesmo abaixo do nível que pode atingir, segurou o rival e teve chances de vencer. Poucas, mas teve. 

Tardelli teve atuação discreta nas finais (foto Bruno Cantini/ Atlético)

A confusão protagonizada pelo árbitro Leandro Vuaden no final do jogo não tira o brilho da conquista do Cruzeiro, mas poderia ser evitada. Durante o jogo, aliás, o juiz poderia ter sido mais enérgico. Lances excessivos e pegados, especialmente de Dagoberto e Éverton Ribeiro, do lado azul, e de Pierre e Leandro Donizete, do lado atleticano, poderiam ter sido evitados se Vuaden tivesse agido mais cedo. No final do jogo, no meu entendimento, observando na hora em que aconteceu, sem replay ou outro recurso, não teve impedimento e a falta me pareceu fora da área. Ao apontar possivelmente para a marca do pênalti e passar o spray fora da área, Vuaden colocou mais lenha no fogueira. Evitaria isso se confiasse na sua própria marcação. O lance foi difícil, mas o juiz o tornou ainda mais complicado. Vendo com calma, com todos os recursos, é possível entender todo o lance. Realmente não teve o impedimento, como eu pensei, mas a falta foi dentro da área. Vuaden acertaria ao marcar o pênalti, mas confiou na marcação do auxiliar Fábio Pereira.

O foco dos dois rivais agora é a Libertadores. Ambos são favoritos, mas pegam times tradicionais e que não serão fáceis de serem batidos. Os erros e os acertos de Atlético e Cruzeiro foram mostrados nos jogos das finais e relatados nesta matéria. O campeonato estadual, pouco atrativo e importante, pode servir como um teste e um treino para que erros sejam minimizados para os torneios mais relevantes. Ganhar do rival sempre é bom em uma final estadual, mas não pode ser motivo para minimizar possíveis falhas, assim como perder do rival o estadual é sempre ruim, mas jamais deve ser base para definir toda uma temporada.

Comentários

  1. Caro Frederico Jota, concordo com quase td, mas se vc acha q o lance do pênalti foi fora da área é melhor ir fazer um exame de vista, existem centenas de imagens pela internet que provam q foi dentro. Outra coisa, o Vuaden não tinha como escutar o bandeira antes, pois o mesmo só levantou a bandeira após a marcação do pênalti (também basta ver o replay para observar isso). Abraço,

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    1. Colega, leia o texto de novo com atenção. Ele escreveu " No final do jogo, no meu entendimento, observando na hora em que aconteceu, SEM REPLAY OU OUTRO RECURSO, não teve impedimento e a falta me pareceu fora da área" e depois continuou "Vendo com calma, COM TODOS OS RECURSOS, é possível entender todo o lance. Realmente não teve o impedimento, como eu pensei, mas a falta foi dentro da área.". Agora vc entendeu ou precisa que desenhe? Abraço.

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