Campeonato Mineiro: 100 torneios, 102 campeões


Durante as comemorações do título de campeão mineiro conquistado em 2012 pelo Atlético, a medalha exibida pelos jogadores mostrava um grande número 100, o que atiçou a curiosidade de muitos que acompanharam a cobertura jornalística pela TV e também pelos jornais. O número é uma menção ao 100º campeão mineiro (confira a logo oficial abaixo). Mas, como assim, se o Campeonato Mineiro começou em 1915, quando também foi conquistado pelo Atlético? E essa temporada atual do estadual, que tem a logo 100 estampadas em todas as camisas dos clubes?

Para entender bem a conta, é preciso recorrer à Federação Mineira de Futebol, que registra em seus arquivos mais de uma centena de campeões e explica os motivos pelos quais o cálculo "não bate". Na prática, a FMF reconhece que em dois anos tiveram, por motivos diferentes, dois campeões mineiros, em 1932 e em 1956. O que não impede de o torneio deste ano ser o centésimo da história, o que explica o número usado em todas as camisas desta temporada.

Em 1932, um ano antes da profissionalização definitiva do futebol brasileiro, Minas ganhava uma nova liga, a Associação Mineira de Esportes Geraes (AMEG) que, entre os clubes mais tradicionais, reuniu América, Villa Nova e o então Palestra Itália, atual Cruzeiro. O Atlético permaneceu ligado à Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT), a atual FMF, e levantou a taça. Na AMEG, o campeão foi o Villa. No final do ano, após reuniões que culminaram na união de representantes das duas ligas, Galo e Leão foram considerados os campeões mineiros de 1932.

Pouco mais de 20 anos depois, uma decisão de tribunais serviu para fechar a conta de 100 campeões em 98 campeonatos, número que chegou a 102 campeões em 100 edições. Em campo, o Atlético venceu o Cruzeiro e festejou o pentacampeonato em 1956. Porém, um problema na documentação do jogador Laércio tirou o caso de dentro das quatro linhas. O Galo perdeu pontos no tribunal e a briga começou a se arrastar até que a FMF decidisse que os dois fossem declarados campões.


O Galo de 1956 foi campeão no campo, mas briga nos tribunais o fez dividir o título com o Cruzeiro

Um dos casos mais controversos da história do futebol mineiro é anterior à divisão dos dois títulos. O Cruzeiro, então Palestra Itália, se considera campeão mineiro de 1926, assim como o Atlético, o que eleva seu número de taças estaduais para 36. O Galo foi o campeão do torneio organizado pela LMDT, enquanto o Palestra foi vice. Porém, naquela mesma temporada, o futuro Cruzeiro jogou uma outra competição, organizada pela Associação Mineira de Esportes Terrestres, foi campeão e inclui a conquista em seu cartel. A FMF, porém, não reconhece. 


O Palestra Itália da década de 1920, quando o futuro Cruzeiro começou a conquistar seus estaduais

Outro caso diferente na história aconteceu em 2002, quando Atlético, Cruzeiro, América e Mamoré jogaram a Copa Sul-Minas e o Campeonato Mineiro foi disputado pelos demais clubes e vencido pela Caldense, que se juntou aos três grandes da capital para jogar o Supercampeonato Mineiro, vencido pelo Cruzeiro.

OS CAMPEÕES MINEIROS RECONHECIDOS PELA FMF:

ATLÉTICO (42 títulos): 1915, 1926, 1927, 1931, 1932, 1936, 1938, 1939, 1941, 1942, 1946, 1947, 1949, 1950, 1952, 1953, 1954, 1955, 1956, 1958, 1962, 1963, 1970, 1976, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983, 1985, 1986, 1988, 1989, 1991, 1995, 1999, 2000, 2007, 2010, 2012 e 2013.

CRUZEIRO (36 títulos): 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944, 1945, 1956, 1959, 1960, 1961, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975, 1977, 1984, 1987, 1990, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 2003, 2004, 2006, 2008, 2009, 2011 e 2014.

O Coelho campeão de 1971: terceiro maior vencedor do estado
AMÉRICA (15 títulos): 1916, 1917, 1918, 1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1924, 1925, 1948, 1957, 1971, 1993 e 2001.




VILLA NOVA (5 títulos): 1932, 1933, 1934, 1935 e 1951

SIDERÚRGICA (2 títulos): 1937 e 1964

CALDENSE (1 título): 2002

IPATINGA (1 título): 2005




Comentários

  1. Fred, Muito boa reportagem... Parabéns!
    Abraços,

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  2. E assim se faz justiça histórica pois a verdade é somente a realidade.Parabéns a FMF por colocar os pingos nos IS.

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